Dias
Horas
Minutos
Segundos

Hotel Vila Galé em Évora

'Segurança dos cuidados em oncologia'

Acreditação

Patrocínio Institucional

 
 

Major Sponsors

 
 

Sponsors

 
 

Suporter

 
 

Notícias do congresso

Encerramento / Entrega de Prémios / Apresentação AEOP 13

Na sessão de encerramento da AEOP 12 procedeu-se à entrega de prémios e foi apresentado o congresso do próximo ano – AEOP 13 – que se realizará nos dias 29 e 30 de maio de 2020, no Hotel Vila Galé Collection, em Braga.

Foram anunciados os prémios distinguidos pela comissão científica, que avaliou os trabalhos a concurso: o 1º Prémio Boas Práticas foi entregue ao trabalho de Sandra Marques, enfermeira independente nas áreas de Oncologia e Pediatria, sobre o tema “A necessidade de formação especializada em quimioterapia”. Já o 1º Prémio de Investigação foi atribuído ao trabalho “Intervenção de Enfermagem na Transição para a prestação de cuidados paliativos: uma Scoping Review”, de Pedro Tavares, do Hospital da Luz de Lisboa.

O 2º Prémio Boas Práticas foi entregue ao trabalho “Promoção da esperança numa doente oncológica paliativa – a propósito de um estudo de caso”, apresentado Ana Luísa Gonçalves, do Hospital da Luz Lisboa, Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos. Por fim, o 2º prémio de Investigação distingiu o tema “Cuidar no domicílio a pessoa com dispneia”, apresentado por Esmeralda Barreira, do IPO do Porto.

Sessão Especial: Enfermagem Oncológica em Portugal: Desenvolvimento e Inovação no Cuidar

A fechar a manhã de sessões temáticas, o AEOP12 acolheu mais uma Sessão Especial, desta vez dedicada ao tema “Enfermagem Oncológica em Portugal: Desenvolvimento e Inovação no Cuidar”, com moderação de Nelson Marques, jornalista do Expresso.

No painel de debate estiveram Alexandra Belchior, da Área de Gestão, da Fundação Champalimaud; Leal da Costa, Médico Oncologista no IPO do Porto; Tiago Cunha, da Ordem dos Enfermeiros; Emília Rito, presidente eleita da AEOP; e Elisabete Valério, vice-presidente da AEOP.

A sessão iniciou-se com uma reflexão de Elisabete Valério e de Emília Rito acerca dos 12 anos de existência da AEOP e a sua evolução, destacando o papel da associação no apoio aos enfermeiros oncológicos. Emília Rito lançou o apelo aos jovens enfermeiros a fazerem parte da AEOP.

Adicionalmente, Alexandra Belchior destacou o papel do enfermeiro na Oncologia e a importância da sua “constante formação na sua área de intervenção”.

A questão dos sistemas de saúde e das suas debilidades, bem como problemas associados foi abordada pelo oncologista Leal da Costa, debruçando-se sobre a necessidade da existência de enfermeiros especialistas em Oncologia, de forma a “maximizar o apoio aos doentes”, a avaliação dos mesmos e os resultados positivos.

Também foi abordado o envolvimento emocional do enfermeiro em relação aos doentes e de que modo pode influenciar a prática diária. Foram exemplificadas algumas estratégias para contornar estas situações, perspetivando o doente de forma holística e como sujeito singular, compreendendo que cada pessoa necessita de diferentes tipos de apoio.

Para além disso, cada palestrante falou do seu percurso profissional e da sua experiência, com maior ou menor ligação à área da Enfermagem oncológica.

Simpósio MSD

O Simpósio promovido pela MSD na manhã de sábado teve como tema o “Tratamento em 1.ª linha do carninoma do pulmão de células não-pequenas (CPCNP) – o que mudou com a imunoterapia?”, apresentado por Carina Gaspar, do IPO de Lisboa.

A médica pneumologista iniciou a sua intervenção fazendo uma breve contextualização do panorama antes da chegada da imunoterapia, considerando que “a imunoterapia veio revolucionar o tratamento do CPCNP”. Referiu que a imunoterapia começou em 2.ª linha no caso do tratamento para o CPNPC, registando bons resultados nestes doentes, “com respostas eficazes e duradouras”. Tendo em conta estes resultados, a imunoterapia começou a ser estudada como tratamento de 1ª linha para esta patologia, com uma aprovação tempo recorde pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA).

Depois, a palestrante passou em revista diversos estudos avaliando novos caminhos para a imunoterapia. Um deles avaliou os resultados da utilização de imunoterapia combinada com quimioterapia no não escamoso, tendo tido “outcomes positivos”. Num outro ensaio, que avaliou o tratamento com imunoterapia combinada com quimioterapia no escamoso, teve resultados não tão positivos, quando comparados com os anteriores.

Assim, Carina Gaspar alertou para o facto de existirem diversos estudos com “desenhos distintos, com diferentes esquemas de quimioterapia, diferentes critérios de seleção, de histologia, de inclusão de doentes EGFR e ALK após TKI e com diferentes níveis de PDL-1 e TMB”. Em relação aos efeitos adversos, a palestrante esclareceu que estes podem ocorrer em qualquer fase do tratamento, “sendo mais comum no início”, e que podem afetar virtualmente qualquer órgão ou sistema, enumerando os mais frequentes – “efeitos dermatológicos, gastrointestinais, endócrinos e pulmonares”.

A especialista abordou, ainda, a questão da posologia nos fármacos pembrolizumab, nivolumab e atezolizumab, bem como as recomendações transmitidas nas guidelines para o tratamento do CPCNP, descrevendo também as indicações aprovadas para a utilização destas moléculas.

A concluir, a palestrante destacou que “apenas no grupo de doentes com mutações driven permanece igual o tratamento de 1ª linha, consistindo em terapêutica-alvo”. Nos restantes doentes, “o tratamento recomendado passou a ser imunoterapia usada em monoterapia ou em combinação”. A médica do IPO Lisboa esclareceu que “esta recomendação baseia-se em evidência de alto grau, obtida como resultados de ensaios randomizados, e está patente em todas as guidelines internacionais”.

Simpósio AstraZeneca

Seguiu-se o Simpósio AstraZeneca que teve como temática “Nova abordagem com imunoterapia no cancro do pulmão localmente avançado”, tendo como palestrante Joana Godinho, do Centro Hospitalar Entre Douro e Vouga.

A médica oncologista focou-se no tópico “Durvalumab após quimiorradioterapia no tratamento de doentes com CPCNP estádio III irressecável”. Em jeito de introdução, a palestrante lembrou que “as doenças não infeciosas são responsáveis pela maioria das mortes no mundo e o cancro é a principal causa de morte e de limitação ao aumento da esperança de vida no século XXI”. Depois, esclareceu que “a terapêutica com quimiorradioterapia (QTRT) no tratamento do CPCNP estádio III tem como objetivo principal a cura”. A quimiorradioterapia, detalhou, “induz a libertação de antigénios tumorais e uma resposta imune adaptativa”. Assim, após a QTRT, é sugerido a administração de durvalumab ao doente, revertendo a imunossupressão e desencadeando uma resposta antitumoral sistémica.

Focando-se nos benefícios deste fármaco, Joana Godinho aludiu ao estudo Pacific, um estudo de fase 3, que tinha como desenho a QTRT baseada em platino. Com a utilização deste fármaco, “as taxas de resposta foram bastante superiores, comparando com a utilização de tratamentos convencionais para esta patologia”. No que se refere aos eventos adversos, foram observados casos de infeções, diarreia, tosse, fadiga, prurido cutâneo, entre outros. No entanto, a palestrante desvalorizou a importância destes dados, já que se relevaram “toxicidades bastante fáceis de tolerar pelo doente”. Para além disso, a oncologista aludiu ao facto de a pneumonite poder ter impacto no início ou na manutenção da terapêutica com durvalumab, podendo ocorrer 1 em cada 5 doentes.

De modo assertivo, Joana Godinho afirmou que “o durvalumab, administrado em monoterapia, está indicado no tratamento do cancro do pulmão de células não pequenas (CPCNP) localmente avançado (estádio III) irressecável, em doentes cujos tumores expressem PD-L1 numa percentagem igual ou superior a 1% de células, e cuja doença não tenha progredido após QTRT baseada em platina”. Houve ainda espaço para detalhar algumas especificidades sobre a posologia de durvalumab.

Em relação à gestão das reações adversas imuno-relacionadas, a palestrante explicou que se deve suspender a dose, reiniciar após a suspensão ou descontinuar permanentemente. As reações podem ser pneumonite, hepatite, colite ou diarreia, hipertiroidismo, insuficiência suprarrenal ou erupção cutânea, por exemplo.

Concluindo a sua apresentação, a palestrante destacou a quimiorradioterapia como “tratamento standard do CPCNP localmente avançado irressecável” e apontou o fármaco em análise, o durvalumab, como “a primeira imunoterapia aprovada num contexto mais precoce no CPCNP”, como terapêutica de consolidação após quimiorradioterapia, sendo considerado um tratamento bem tolerado.

Simpósio Merk Serono

O Simpósio Merck Serono foi subordinado ao tema “Prevenção e gestão de toxicidades cutâneas dos anti-EGFR”, contando com a moderação de Ricardo Blum, Diretor Médico da Merck Portugal e com a intervenção de Joana Silva, do Centro Hospitalar Gaia-Espinho.

A sessão começou com uma breve introdução do moderador, na qual foi frisado o “papel fundamental” dos enfermeiros na “profixalia, identificação precoce e suporte adequado ao tratamento” no contexto de toxicidades cutâneas associadas aos anti-EGFR’s.

Depois, subiu ao púlpito a enfermeira Joana Silva, passando a enumerar as indicações dos anti-EGFR’s. “Estes agentes são indicados para o cancro da cabeça e pescoço, curativo e paliativo, para o cancro do pulmão paliativo e para o cancro colorretal paliativo”, esclareceu. Referiu-se de seguida às manifestações cutâneas mais frequentes (na pele, unhas, cabelo e olhos), salientando algumas dicas para as evitar, “que devem ser transmitidas pelos enfermeiros aos doentes”, como, por exemplo, usar roupas mais largas, ter as unhas de um tamanho mais curto, tomar a medicação corretamente, fazer banhos curtos de chuveiro com água morna e evitar a exposição solar, bem como solários, saunas e secadores de cabelo, entre outras recomendações.

Seguidamente, a palestrante focou a sua atenção nas diferentes toxicidades propriamente ditas, descrevendo para cada uma os diferentes graus de lesão e deixando recomendações de prevenção e/ou gestão dos problemas. Foram abordados o rash cutâneo, as imunoradiodermites, a paroníquia e a mucosite oral. Neste último, referiu alguns fatores a que os doentes devem ter em atenção, como “evitar comidas ácidas, ter uma alimentação equilibrada e ingerir bastante água”.

Concluindo a sua apresentação, Joana Silva afirmou que “estamos na era das terapêuticas-alvo no cancro e que deve existir uma mudança de paradigma para os enfermeiros na prevenção e gestão das toxicidades dos anti-EGFR’s”. A equipa de Enfermagem, esclareceu a palestrante, “faz a gestão de todos estes efeitos em conjunto com os oncologistas”. E acrescentou: “a prevenção/profilaxia é a intervenção prioritária dos enfermeiros, já que tem mais ganhos para o doente. Intervindo precocemente conseguimos intervir de forma mais eficaz”, frisou.

Apresentação de Trabalhos Selecionados Boas Práticas & Investigação

A primeira sessão do segundo dia da AEOP12 foi dedicada à “Apresentação de Trabalhos Selecionados em Boas Práticas & Investigação” e contou com a moderação de Ana Paula Moreira, do IPO do Porto e de Susana Miguel, do IPO de Lisboa.

O primeiro trabalhado selecionado, com o título “Intervenção de Enfermagem na transição para a prestação de cuidados paliativos: uma scoping review”, foi apresentado por Pedro Tavares, do Hospital da Luz de Lisboa. De seguida, o tema “Tradução, adaptação cultural e validação da versão portuguesa do instrumento Knowledge And Attitudes Survey Regarding Pain (KASRP-PT)” foi apresentado por Isabel Bico, da Universidade de Évora – ESESJD. Por sua vez, Esmeralda Barreira, do IPO do Porto e da Universidade Fernando Pessoa, apresentou o tópico “Cuidar no domicílio a pessoa com dispneia”, seguindo-se da apresentação de Carolina Cunha Monteiro, da CUF Instituto de Oncologia, versando o tema “Gestão e controlo sintomático – Atendimento Telefónico 24h de Enfermagem Oncológica”. Quase a terminar, Ana Luísa Gonçalves, do Hospital da Luz de Lisboa, da Unidade de Cuidados Continuados e Paliativos sumariou o trabalho “Promoção da esperança numa doente oncológica paliativa – a propósito de um estudo de caso”. Por último, o trabalho “A necessidade de formação especializada em quimioterapia” foi apresentado por Sandra Marques, especializada em Oncologia e Pediatria.

Sessão Especial: Projetos Inovadores em Oncologia

A Sessão Especial da tarde de sexta-feira foi dedicada à apresentação de “Projetos Inovadores em Oncologia” e contou com a moderação de Cristina Lacerda, do IPO de Lisboa.

O primeiro palestrante da sessão, Bruno Magalhães, da Escola Superior de Saúde Santa Maria, no Porto, abordou o tema da “Nutrição clínica no doente oncológico: do hospital ao domicílio”. A apresentação focou a nutrição parentérica no domicílio e as experiências no âmbito desta. O orador considerou que “a nutrição parentérica ao domicílio se destaca por evitar que o doente se desloque ao centro hospitalar”, o que se revela um benefício a diversos níveis. Contudo, é necessária uma equipa multidisciplinar, constituída por um médico, um enfermeiro e um nutricionista.

Esta nutrição deve cumprir determinadas condições que o palestrante fez questão de mencionar: “a impossibilidade de nutrição adequada e suficiente por via oral ou enteral; duração prevista do tratamento de pelo menos 4 a 5 semanas; situação clínica e emocional que permita o seu tratamento no domicílio, em caso de doentes autónomos; consentimento do doente e acesso venoso”. Para além disso, acresce a necessidade de “motivar a família para assumir o tratamento”, isto é, o familiar/cuidador deverá adquirir a formação adequada, a par da criação de condições mínimas do domicílio, somando-se a necessidade de “um plano de ensino para o doente acerca da nutrição parentérica”, que inclua o aconselhamento geral e o controlo de complicações.

O Projeto U-Care, um modelo de avaliação de cuidados em doentes com cancro da mama avançado, foi apresentado por Sandra Ponte, do Hospital S. Francisco Xavier. A palestrante começou por explicar em que consiste o projeto U-Care, “um programa de acompanhamento de doentes com a criação de uma rede de suporte para apoiar os doentes e os seus cuidadores na gestão da doença avançada/metastizada e em fim de vida”. Esta iniciativa tem como principal finalidade “contribuir para a melhoria da gestão da doença oncológica na fase avançada em Portugal”.

A palestrante referiu também as quatro dimensões avaliadas no projeto (física, social, psicológica e espiritual), apresentando a flow-chart do programa  e a estrutura dos questionários que os enfermeiros devem preencher na plataforma online.

Seguidamente, Maria José, do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, abordou os “Documentos Educacionais para doentes com doença mieloproliferativa”.  Começou por apresentar o projeto MPN-10, centrado no doente, cuja razão de ser reside na “inexistência de materiais educacionais dirigidos ao doente”. O objetivo do projeto é conferir ao doente um empoderamento, refletindo-se numa “maior autoconfiança e autoestima e, consequentemente, numa melhor qualidade de vida”, apontou. De seguida, abordou o tema das neoplasias mieloproliferativas, descrevendo a gestão dos sintomas em equipa.

Para finalizar o primeiro dia da AEOP12, “O papel dos blogues e da internet na vivência do cancro” foi o tema apresentado por Carla Damásio, da Escola Superior de Saúde do Instituto Politécnico de Leiria. A oradora apresentou um estudo que desenvolveu, esclarecendo que “tem como ponto de partida a sociedade atual em que vivemos, permanentemente ligada às tecnologias e à internet”. Este estudo pretendeu identificar pessoas com doença oncológica que mantivessem um blogue ativo, o que resultou na análise de 32 blogues, 30 dos quais com origem em Portugal, 1 no Brasil e outro em Angola. A palestrante clarificou, ainda, que foi analisada a trajetória e dimensão de cada blogue, o número de ligações, o tipo de comunicação e o potencial de influência na rede.

Concluiu-se que “o blogue ajudou à partilha de experiências entre doentes, constituiu um canal de apelo à prevenção, serviu como meio de partilha e divulgação de mensagens positivas e de apoio ao outro, influenciando e tento impacto em toda a sociedade, inclusive noutros países”, mencionou. Adicionalmente, foram sinalizadas nestes canais várias formas de agradecimento aos profissionais de saúde envolvidos no tratamento dos doentes oncológicos.

Simpósio Janssen

Após um curto coffee break, a continuar a tarde de trabalhos de sexta-feira, a AEOP 12 recebeu um Simpósio organizado pela Janssen, intitulado “O Doente no centro do tratamento com Darzalex®”. Neste painel, as palestrantes intervenientes foram Maria Pedro Silveira, hematologista do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, e a enfermeira Cecília Girão, do IPO Lisboa.

A primeira palestrante a tomar a palavra foi a médica hematologista, começando por enquadrar o que é o mieloma múltiplo passando depois a apresentar os benefícios do Darzalex®. A palestrante esclareceu que esta patologia “ocorre em doentes com idade média entre os 65 e os 70 anos”, salientando que “os objetivos do tratamento passam por diminuir a carga tumoral, prevenir a lesão do órgão, prolongar a sobrevivência, preservar a performance status e a qualidade de vida do doente e, não menos importante, por gerir os eventos adversos”.  Referiu, ainda, que deve existir um tratamento individualizado para cada doente, já que é necessário ter em conta fatores específicos que influenciam o tratamento: a idade do doente, as comorbilidades, as condições funcionais, os tratamentos anteriores a que o doente foi submetido, entre outros.

Focando-se na molécula em destaque neste simpósio, Maria Pedro Silveira avançou que, com Darzalex®, “o CD38 é amplamente expresso numa variedade de neoplasias, incluindo mieloma múltiplo, macroglobulinemia de Waldenstrom, leucemia de células NK e leucemia de células plasmáticas”, debruçando-se depois no tópico das toxicidades, onde passou em revista alguns efeitos adversos do fármaco. Depois, mostrou graficamente os resultados de alguns estudos com outros fármacos para esta patologia. Para finalizar, destacou o facto de o mieloma múltiplo ainda ser uma doença incurável, lembrando que a opção terapêutica em debate (Darzalex®) “é recomendada em todas as linhas do mieloma múltiplo nas guidelines apresentadas no ASCO 2019”.

Maria Girão apresentou a sua comunicação com enfoque no daratumumab, equacionando a pré e pós perfusão na administração deste fármaco. Referiu que “na medicação de pré-perfusão de daratumumab os doentes receberão corticosteroides de ação intermédia ou prolongada, antipirético e anti-histamínico. Na medicação pós-perfusão, os doentes receberão corticosteroide oral e, em doentes com história de doença pulmonar obstrutiva crónica, deve ser considerada a administração de broncodilatadores de ação curta ou longa e corticosteroides de inalação”. Em relação às reações relacionadas com a perfusão, a enfermeira do IPO Lisboa salientou que estas ocorreram em 40% dos doentes na primeira perfusão e que foram predominantemente de grau 1 ou 2. “As reações que ocorreram em menos de 5% manifestaram-se em arrepios, congestão nasal, irritação da garganta e tosse e náuseas e vómitos”, apontou. Já as reações mais graves (de grau 3), incluíram broncoespasmo e dispneia, edema de laringe e pulmonar, hipoxia e hipertensão.

Para finalizar, a oradora explicou o papel do enfermeiro no Hospital de Dia, o qual tem a função de “fazer o acolhimento ao serviço”, reforçar os “esclarecimentos aos doentes sobre os efeitos secundários” e, ainda, validar o “conhecimento sobre a toma da medicação”.

Sessão Educacional: Gestão de Complicações nas Terapêuticas Oncológicas

“Gestão de Complicações nas Terapêuticas Oncológicas” foi o tema da sessão educacional moderada por Helena Mendes, do Centro Hospitalar Universitário do Algarve – Unidade de Portimão.

Jorge Freitas, do IPO do Porto, abordou as Estratégias de Gestão Terapêutica com Nintedanib no CPCNP. Começou por explorar os mecanismos de ação do nintedanib como inibidor triplo da angiocinase, esclarecendo a população-alvo desta terapêutica, a sua posologia e modo de administração. Alertou, ainda, que “o nintedanib não pode ser administrado no mesmo dia que docetaxel”. O palestrante também abordou o protocolo de gestão de dose em caso de eventos adversos, alertando para os efeitos secundários mais comuns, bem como as recomendações terapêuticas para o doente.

Como se trata de um tratamento realizado no domicílio e por via oral, Jorge Freitas considerou fundamental manter a comunicação com o doente, quer seja por via telefónica, ou através de outra plataforma de comunicação, quer de forma presencial ao domicílio ou em consulta. “À distância é mais complexo e sabemos que é importante percebermos como está o doente”, salienta o enfermeiro. Concluindo a sua apresentação, o palestrante deu destaque para o Nintedanib como medicamento disponível para doentes com Adenocarcinoma após quimioterapia em 1L.

“Caquexia oncológica – a intervenção nutricional” foi a temática abordada logo a seguir, por Joana Araújo, do Hospital CUF Infante Santo. A palestrante começou por fazer uma breve definição da caquexia oncológica, afirmando que se “manifesta com a perda de peso e de massa muscular, com situações de anemia e fadiga”. Expôs ainda um estudo que revela a classificação da caquexia oncológica no doente.

Adicionalmente, Joana Araújo mencionou os fatores primários e secundários da caquexia. Como primários destacou o aumento da inflamação sistémica e da resposta em fase aguda, a mobiliação lipídica e de energia em repouso e a diminuição da síntese proteica. Como fatores secundários foram salientados a dor, a depressão, as náuseas e os vómitos, a disgeusia e ageusia, entre outros. Para além disso, a palestrante considerou a avaliação nutricional essencial, de forma a “possibilitar a intervenção nutricional precoce, devendo-se adaptar e individualizar esta intervenção para cada doente”. Com base na avaliação nutricional é necessária uma abordagem multidisciplinar, com o objetivo de alcançar melhores resultados.  A terapêutica farmacológica foi também salientada pela palestrante, bem como a importância da prática de exercício físico, “nem que seja uma caminhada de 30 minutos diários”.

Anabela Amarelo, do Centro Hospitalar de Gaia, apresentou os “Diferentes perfis de Toxicidade no tratamento do Cancro da Próstata”.  Iniciou a sua apresentação com uma breve contextualização do cancro da próstata, com dados estatísticos de Portugal, com destaque para o diagnóstico e estadiamento.

Seguidamente, falou genericamente sobre cancro da próstata localizado com intuito curativo, expondo diversas terapêuticas. Acerca do cancro da próstata metastizado sem intuito curativo, a palestrante descreveu o tratamento dirigido ao osso com ácido zoledrónico e denosumab, apontando os novos fármacos existentes e passando em revista as opções de tratamento com quimioterapia, recorrendo a fármacos como docetaxel e cabazitaxel.

Anabela Amarelo também destacou os diferentes perfis de toxicidade no tratamento do cancro da próstata, como os afrontamentos, a osteoporose, a disfunção erétil, os efeitos metabólicos, a morbilidade cardiovascular, a fadiga, entre muitos outros. De forma a prevenir ou diminuir estes perfis de toxicidade é necessária uma abordagem prática, “conduzindo à consulta de adesão à terapêutica oral antineoplásica, incentivando sempre à adesão terapêutica”, reforçou. Neste contexto, a palestrante sublinhou também a centralidade da consulta de enfermagem, “de forma a melhorar a gestão das toxicidades em cada doente, com vista à melhoria da qualidade de vida”

Por fim, foi apresentado o “Estudo comparativo na prevenção e tratamento da mucosite oral nos doentes com patologia cabeça e pescoço em radioterapia” pela enfermeira Elisabete Soares, do serviço de Radioterapia do IPO do Porto. A palestrante abordou a toxicidade radioinduzida, destacando a mucosite oral como sintoma de 97% dos doentes que fazem radioterapia com patologia na região da cabeça e pescoço.  Na mucosite oral de grau 3 e 4, a incidência é de cerca de 85%. Assim, a palestrante apelou ao investimento na prevenção, de forma a minimizar as complicações. Como prevenção, a oradora salientou a avaliação da saúde oral e a avaliação nutricional.

Elisabete Soares apresentou ainda um estudo comparativo na prevenção e tratamento da mucosite oral em radioterapia com um grupo de 120 doentes, dividido em dois grupos de forma aleatória. A palestrante explicou que “a abordagem é feita com uma consulta de primeira vez, onde é realizada a recolha de dados e procedemos a uma avaliação. Segue-se a consulta de seguimento ou follow-up, com um reforço da educação e da avaliação e, por fim, uma consulta de alta, onde se ensina o doente sobre os cuidados pós-término de radioterapia”, acrescendo-se o esclarecimento sobre os efeitos secundários possíveis e a referenciação para cuidados de saúde primários, se necessário. Este estudo foi interessante para “traçar caminhos”, referiu a enfermeira, salientando a abordagem multidisciplinar e a captação de novos conhecimentos, ansiando pela mudança.

Simpósio OM Pharma

O Simpósio promovido pela OM Pharma teve como tema “Emese induzida pela Quimioterapia – novas abordagens terapêuticas” e contou com a apresentação de Emília Rito, enfermeira da Fundação Champalimaud. A apresentação da palestrante foi focada no tópico das “náuseas e vómitos induzidos pela quimioterapia”, sendo estes os dois efeitos secundários “mais frequentes e perturbadores para os doentes sob tratamento de quimioterapia, constituindo ainda um problema para os doentes”.

Desta forma, a oradora esclareceu o objetivo final do tratamento de suporte do cancro: “pretendemos obter um controle completo de todos os aspetos das náuseas e vómitos induzidos pela quimioterapia para que estas sejam mais bem toleradas, permitindo aos doentes fazer todos os ciclos prescritos sem alterações”.

Emília Rito abordou também os fatores de risco para estes dois sintomas. Assim, destacou os fatores de risco relacionados com o doente – ter menos de 50 anos, ser do sexo feminino, sofrer de ansiedade, emese durante a gravidez, entre outros – bem como os fatores de risco relacionados com o tratamento – potencial emetogénico dos citostáticos ou regimes, a dose e esquema posológico da QT e o uso de múltiplos citostáticos.

Finalizando, a palestrante avançou o Nepa (AKYNZEO) como indicado para a emese das náuseas e vómitos agudos, com eficácia de 5 dias, com a toma de um comprimido uma hora antes do tratamento de quimioterapia.

Conferência: O papel da AEOP no desenvolvimento da Enfermagem Oncológica Portuguesa: A mudança necessária.

“O papel da AEOP no desenvolvimento da Enfermagem Oncológica Portuguesa: A mudança necessária” foi o tema da conferência proferida por Jorge Freitas, enfermeiro do IPO do Porto e membro fundador da AEOP.

O orador começou por especificar a missão e os valores da AEOP e os marcos temporais mais importantes na história da associação até aos dias de hoje. Assim, foi salientado que “dos 1850 enfermeiros oncologistas, 46% são membros da AEOP”. Para além disso, Jorge Freitas enumerou os grupos de trabalho existentes na AEOP – WG Cabeça e Pescoço, WG Cancro Digestivo, WG Dor Oncologia, WG Jovens com Cancro e WG Cuidados Suporte de Oncologia, especificando igualmente as parcerias permanentes da AEOP com outras entidades, como a European Oncology Nurse Society e a Sociedade Portuguesa de Oncologia, bem como as ligações à Indústria Farmacêutica para a implementação de projetos pontuais de diferentes naturezas.

No que diz respeito aos eixos de atividade, o enfermeiro especialista em Enfermagem comunitária abordou o eixo da investigação, da educação, da formação e das publicações, avançando ainda os projetos em curso.

No âmbito da comunicação, Jorge Freitas referiu o website oficial da associação (AEOP.PT), o website da revista científica (OncoNews.net), e as redes socias Twitter e Facebook como plataformas através das quais a associação comunica regularmente com a sua atividade junto dos profissionais de Enfermagem e da população em geral.

Para o futuro, o chefe do serviço de Radioterapia do IPO Porto espera um crescimento da presença da AEOP nestas plataformas e a criação e desenvolvimento de novos projetos, entre os quais foi destacado o “Proactive”, que pretende “posicionar a AEOP como uma entidade com credibilidade para realizar estudos observacionais avaliando a qualidade de vida dos doentes”.

Finalizando a sua apresentação, Jorge Freitas reafirmou que “o objetivo da AEOP é crescer cada vez mais como associação de apoio aos enfermeiros oncológicos, reiterando a importância deste tipo de encontros entre profissionais de saúde, de forma a ser possível a troca de ideias e experiências.

Sessão Plenária: Jovem com Cancro, Diferentes Perspetivas…

A segunda Sessão Plenária foi subordinada ao tema “Jovem com Cancro: Diferentes Perspetivas” e foi moderada pela enfermeira Luísa Marques, do IPO do Porto.

Luísa Marques, abordou “Como estamos?”, refletindo sobre o panorama português nesta matéria. Começou por relatar algumas experiências profissionais aquando a sua passagem pela especialidade de Pediatria.

De seguida, expôs, graficamente, a incidência do cancro nos jovens adultos (entre os 15 e os 39 anos) no mundo, e posteriormente, em Portugal, referindo que, nos últimos 20 anos, “os números estão a aumentar, especialmente no sexo feminino, representando a primeira causa de morte nos jovens adultos”.

A palestrante, referiu que, nesta faixa etária, “existem alguns fatores importantes a ter em conta, como a reintegração nos estudos ou local de trabalho, a fertilidade, a sexualidade, a questão corporal, as dinâmicas familiares”, entre outros. É necessário, assim, “mudar a cultura do cuidar”, como refere Luísa Marques, existindo uma equipa multidisciplinar, um desenvolvimento específico desta faixa etária, formação em comportamentos de risco e saúde mental.

“Comunicar na idade do “agora” é essencial segundo a enfermeira do IPO do Porto, pois “estes doentes oncológicos necessitam de uma abordagem diferente”.

Joana Ferreira, do Grupo Veteranos, é uma sobrevivente de cancro que expôs a sua experiência pessoal ao lidar com a doença. Revelou que sentiu a “necessidade de fazer algo com a experiência pessoal, para poder ajudar outros doentes”. Assim, criou o grupo de veteranos de Pediatria, em 2012, que dá apoio aos doentes oncológicos jovens. Para além disso, o grupo publicou um livro de testemunhos com histórias de sobreviventes que está disponível para as crianças e jovens em situação de doença. Como mensagem final, Joana Ferreira considera que “o enfermeiro é o profissional de saúde fundamental para os doentes oncológicos”, salientando o apoio aportado aos doentes.

Jéssica Ferreira, formada em Psicologia, faz voluntariado na ala pediátrica do IPO do Porto há seis anos. Iniciou a sua intervenção confessando que começou o seu voluntariado com o intuito de ir para a Liga Portuguesa contra o Cancro. Afirma que a interação com as crianças “é uma experiência muito enriquecedora e de crescimento”, considerando que “era importante existir uma diferenciação de espaço entre as crianças e os adolescentes, de forma a ser possível abordar diferentes temas”, apontou.

Simposio Servier

“Continuum of Care no doente com cancro colorretal metastático (CCRm): da teoria à prática”, foi o tema escolhido para o Simpósio promovido pela Servier, tendo como palestrantes Judy Paulo, do IPO de Coimbra, e Diana Agante, da mesma instituição de saúde.

Judy Paulo focou a sua apresentação na exposição dos dados científicos mais atuais relativos ao Lonsurf® (Trifluridina/ Tipiracilo) no CCRm. Iniciou a sua intervenção com a abordagem do impacto global do cancro colorretal, sublinhando que “em Portugal, o CCR ocupa o 2.º lugar em incidência e mortalidade por cancro em ambos os sexos”, passando ainda em revista os seus fatores de risco (nomeadamente o sedentarismo, o tabaco, o álcool, a dieta, a idade, a doença inflamatória do intestino, a história familiar, etc).

De seguida, a palestrante mostrou o que contribui para o aumento da mOS no CCRm e abordou os diferentes objetivos terapêuticos, consoante a linha de tratamento selecionada. Apresentou diferentes resultados de ensaios clínicos sobre os outcomes de segurança e eficácia do trifluridine/tipiracil, os quais relevaram os benefícios terapêuticos deste fármaco, não apenas no controlo da doença e ganhos em sobrevida, bem como na melhoria da qualidade de vida proporcionada aos doentes. Judy Paulo finalizou enfatizando que “é necessário saber quais os doentes que vão beneficiar do tratamento”, focando a importância de olhar cada doente nas suas características individuais.

A apresentação de Diana Agante focou-se no papel do enfermeiro no tratamento do doente com CCRm, nomeadamente no manuseamento da terapêutica oral, na gestão de toxicidades e na adesão à terapêutica. A palestrante considerou ser de extrema importância a equipa multidisciplinar para melhorar os outcomes do doente.

De seguida, à semelhança da anterior palestrante, a enfermeira do IPO de Coimbra, expôs os principais dados sobre a trifluridina/ tipiracilo para o tratamento de doentes adultos com CCRm que tenham sido tratados previamente com, ou não tenham tido indicação para terapêuticas disponíveis incluindo QT baseada em fluorprimida, oxaliplatina e irinotecano.

Para além disso, a enfermeira enumerou alguns fatores que influenciam a adesão à terapêutica, como o género, o estatuto socioeconómico, a distância aos centros de tratamento, os problemas psicológicos, os fatores relacionados com a terapêutica, as crenças culturais acerca da doença oncológica e a confiança na equipa multidisciplinar com que os doentes lidam diariamente. Acrescentou, ainda, que existem estratégias para promover a adesão à terapêutica, como “ensinar sobre as características do medicamento, calendarizar as tomas, sugerir ao doente manter um diário pessoal, o envolvimento de um familiar e a possibilidade de contacto com o doente durante o ciclo de tratamento”. Sintetizando estes aspetos, a palestrante chamou a atenção: “o importante é perceber que o doente é o foco do nosso cuidado, mas igualmente importante para a adesão à terapêutica é perceber que o doente tem de ser um sujeito ativo, e não passivo dos cuidados”.

Em modo de conclusão, Diana Agante destacou a terapêutica oral para tratamento de doente com CCRm, reforçando a terapêutica de 3.ª linha – Lonsurf® – com um já demonstrado “impacto positivo na sobrevida dos doentes”; salientou a importância da equipa multidisciplinar na adesão dos doentes à terapêutica oral; bem como a importância da consulta de enfermagem na gestão das toxicidades, empowerment do doente e na manutenção da própria adesão. A existência destas consultas no âmbito clínico foi mesmo apontada como uma “realidade necessária” para o acompanhamento do doente oncológico.

Simposio Roche

O Simpósio promovido pela Roche ao final da manhã de sexta-feira foi dedicado aos novos desafios da imunoterapia na gestão do doente oncológico. Sob moderação de Alexandra Belchior, da Fundação Champalimaud, e de Rui Dinis, do Hospital Espírito Santo, a sessão apresentou as perspetivas do enfermeiro e do médico nesta questão.

Coube a André Mansinho, do Hospital de Santa Maria, abordar a perspetiva do médico, começando por apresentar a estratégia da imunoterapia atual, que se baseia na regulação dos checkpoints. De seguida, mencionou os custos e desafios desta terapêutica, salientando ainda que “para evitar eventos adversos nos doentes, é necessária a educação dos doentes acerca dos sintomas que poderão sentir”.

A palestrante Anabela Amarelo, do Hospital de Vila Nova de Gaia, abordou a perspetiva do enfermeiro, começando por referir o papel da imunoterapia como uma nova abordagem no combate ao cancro, salientando que os enfermeiros oncológicos devem compreender o mecanismo de ação relacionado com a imunologia, o novo perfil de toxicidade caracterizado por eventos adversos relacionados ao sistema imune e os padrões de resposta clínica. Assim, a palestrante sugeriu uma “nova abordagem ao cuidar do doente, com competências de comunicação, com a atualização de conhecimentos e o ensinamento do doente a relatar precocemente potenciais sinais de EA”. Como tal, Anabela Amarelo defendeu a adaptação da equipa de enfermagem e expôs os desafios e oportunidades nesta área.

Em conclusão, a palestrante considera que a imunoterapia em Oncologia abriu um novo caminho para o tratamento, bem como o papel dos inibidores de checkpoint imunológico como um grande avanço no cuidado de indivíduos com uma variedade de tumores sólidos avançado. Por fim, reforçou a necessidade do conhecimento e atualização científica pelos profissionais de saúde da área oncológica, de forma a garantirem a melhor qualidade de vida e a minimização dos sintomas.

Sessão Plenária: Cancro da Mama Metastizado

O Cancro da Mama Metastizado foi o tema da primeira sessão plenária da AEOP12 e contou com a moderação de Albertina Santos, do Hospital da Luz de Lisboa. Paula Amorim, da Unidade Local de Saúde do Alto Minho apresentou o Estado da Arte do tema.

A palestrante começou por referir que “cerca de 25% das doentes com cancro da mama vêm a desenvolver metástases e a falecer como consequência da doença”, acrescentando que “60 a 80% das recidivas ocorrem nos primeiros 3 anos, após tratamento, com uma frequência decrescente com o tempo”.  Neste contexto, vários estudos sobre a eficácia do seguimento intensivo demonstram que a recidiva é habitualmente sintomática e é descoberta pela própria doente. Após passar em revista alguns dados destes estudos, Paula Amorim concluiu que “uma abordagem multidisciplinar é essencial e deve ser iniciada o mais precocemente possível, incluindo os aspetos médicos, mas também os domínios funcional, social, psicólogo e espiritual”.

A oradora apontou ainda a importância da integração destas doentes em ensaios clínicos, considerando o lugar de outras terapêuticas, no âmbito da Medicina Alternativa, como complemento da abordagem terapêutica. Sobre os cuidados paliativos, não restam dúvidas: “devem estar presentes desde a fase mais inicial possível”, não podendo ser encarados como fim de linha. Atividade física moderada é recomendada, de acordo com a literatura existente, sendo ainda desejável a implementação de programas de acompanhamento de doentes, uma vez que “as novas terapêuticas provocam sintomas que devem ser geridos eficazmente numa perspetiva de melhorar a qualidade de vida e os tratamentos podem ser prolongados por vários anos”.

De seguida, Joana Silva, do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia, apresentou o tema “Inibidores das Ciclinas: Como gerir sintomas”, no qual comparou as características farmacológicas de palbociclib, ribociclib e abemaciclib, analisando a redução de dose, a duração do ciclo, o método de toma, entre outros aspetos. Neste contexto, a enfermeira apresentou as principais toxicidades associadas aos fármacos em diferentes áreas, como sejam a hematológica, cardíaca, gastrointestinal, laboratorial, entre outras.

Após esta análise, Joana Silva transmitiu à audiência algumas diretrizes de gestão do regime terapêutico das moléculas em questão para os profissionais de saúde. Assim, a palestrante considerou que a gestão do regime terapêutico passa por diferentes dimensões, nomeadamente: avaliação analítica e clínica, “seguindo a monitorização recomendada”; avaliação da compliance, na qual “deverão ser colocadas perguntas abertas aos doentes”; avaliação motivacional, onde é desejável serem definidas “escalas de motivação”; e intervenção dirigida, levando em conta a patologia, o fármaco e o doente. No que se refere à gestão de sintomas, a oradora apontou algumas intervenções complementares, como a farmacológica, nutricional, não-farmacológica e psicossocial. As palavras finais da palestrante na apresentação foram para o papel do doente no sucesso do tratamento, uma vez que “um doente informado tem mais probabilidades de seguir corretamente o seu plano terapêutico”.

Por fim, a enfermeira Elisabete Valério, do IPO Porto, apresentou os resultados finais do Projeto Follow, um programa de acompanhamento dos doentes oncológicos, que teve a duração de dois anos, desde 2017 até 2019, e estará disponível para utilização em outras realidades e noutros centros.

A palestrante iniciou a sua apresentação com a definição dos outcomes, especificando as estratégias de adesão que devem ser combinadas, como “a educação do doente e da família, a participação do doente no seu plano de tratamento, a simplificação dos regimes terapêuticos, o acesso facilitado aos cuidados de saúde e o contacto direto e relação entre profissional e doente”.

Este programa de acompanhamento teve como critérios de inclusão as mulheres com idade igual ou superior a 18 anos e doentes com cancro de mama metastizado sem indicação para quimioterapia, entre outros, e como critérios de exclusão a metastização cerebral e os doentes com alterações cognitivas.

Como conclusões do estudo, a palestrante referiu que os enfermeiros que cuidam destes doentes necessitam de um maior acompanhamento clínico e que os doentes precisam de uma maior proximidade, de forma a terem garantia de segurança na toma da medicação. Elisabete Valério esclareceu a utilidade desta plataforma para a clínica, “diminuindo a necessidade da doente se deslocar às unidades de saúde, com ganhos para a sua vida diária”. Desta forma, “apostar numa plataforma validada garante segurança clínica tanto para os enfermeiros como para os doentes”, permitindo “aumentar a segurança, a adesão e o registo de complicações”.

Sessão de abertura

A sessão de abertura da AEOP12 realizou-se pelas 9h e teve como tema a “Comunicação: a chave do sucesso na Relação terapêutica”, apresentada pelo Professor Universitário, Alberto Britos.

O palestrante começou por esclarecer que a comunicação que se revela como chave do sucesso é a comunicação interpessoal entre profissionais de saúde e o doente e entre si. Referiu, ainda, que a área oncológica precisa de profissionais com conhecimentos na área da formação humana.

O convidado especial da sessão, licenciado em Filosofia e Teologia, frisou: “A coisa que todo o ser humano mais precisa de ouvir, e o doente de forma especial, é simplesmente esta: podes ser tu perante mim”, esclarecendo que esta expressão individual acontece em diferentes dimensões, incluindo a não verbal, já que “90% da comunicação é não verbal”. Salientou também que o que “o dá credibilidade é a convergência entre a comunicação verbal e não verbal”, isto é, “o dizer bate certo com o modo de atuar: isto é que dá força à comunicação”.

Alberto Britos finalizou afirmando que a relação entre profissionais de saúde e doentes, e também a relação entre os próprios profissionais de saúde, tem necessariamente como base uma comunicação clara, frontal e empática.